“O ciclo de Moro no Ministério se encerrou hoje. A vergonha da sua participação no governo Bolsonaro é eterna.” Leandro Demori no Intercept

O pseudo-juiz e ex-ministro já entrou para a história da jurisprudência: jamais será possível falar sobre o conceito de Lawfare, ou guerra jurídica, sem mencionar o Mecanismo persecutório que Mr. Moro colocou em ação para prender Lula em 2018 quando o petista era o candidato à presidência que aparecia disparado nas pesquisas de intenção de voto.

Aceitar um cargo no governo de extrema-direita que foi diretamente beneficiado por sua condução criminosa do processo do Triplex já havia escancarado a que funduras este Sr. podia descer em prol do poder político. Como lembra Leandro Demori no The Intercept Brasil: “se tivesse qualquer apreço pela justiça e pela democracia não deveria ter aceitado o cargo, dado o histórico da família Bolsonaro, seu apreço por torturadores e desprezo pelas instituições democráticas.” [*]

Aderindo ao neofascismo Bolsonarista, Mr. Moro endireitou em relação a seu tradicional “tucanismo”: a #VazaJato havia revelado que, diante de políticos graúdos do PSDB, o juizeco preferia abandonar os processos para “não melindrar” o Tucanato. Tchucuca com uns, tigrão com outros. No governo, quis impor um “Pacote Anticrime” que, se tivesse sido aprovado como Moro inicialmente o propôs, bastaria para que ele fosse julgado junto com Bolsonaro em Haia por crimes contra a humanidade: o policial poderia matar com garantia de impunidade, desde que agisse de acordo com os preceitos racistas de uma Guerra às Drogas levada a seu novo nível de brutalidade, alçada a um “nível Duterte” de carnificina sanguinária nas favelas. O projeto racista e genocida de empoderamento da violência de Estado que Moro propôs para agradar seu Chefe não passou como ambos o desejavam, mas aí o Serjão revelou todo seu desapreço pelos direitos humanos dos mais vulneráveis e toda sua adesão a um projeto autoritário de Estado militarista, policial-carcerário, de necropolítica exacerbada.

Há quem esteja fazendo festa com a saída de Moro do Ministério da Justiça, quando é lamentável que ele tenha entrado lá em primeiro lugar e ali permanecido mesmo depois das acintosas revelações da #VazaJato: em qualquer democracia liberal séria, os vazamentos do The Intercept teriam ocasionado a imediata demissão de um agente público envolvido em tão graves achincalhes contra o Estado Democrático de Direito quanto Moro.

Demori de novo: “Depois das revelações que fizemos no The Intercept, Sergio Moro não deveria ter permanecido no Ministério. As improbidades cometidas quando ocupava a 13ª Vara Federal de Curitiba são gravíssimas, interferiram na condução dos rumos da República e colocam em xeque todo o desenrolar da operação Lava Jato. Afinal, como aceitar que um juiz que evita investigar políticos para não “melindrar alguém cujo o apoio é importante” ocupe a pasta da Justiça? É isso o que chamam de bandido de estimação? O ciclo de Sergio Moro no Ministério se encerrou hoje. A vergonha da sua participação no governo Bolsonaro, no entanto, é eterna.”

Ao ejetar-se da nau dos insensatos em meio à pandemia de covid-19, Sérgio Moro também faz um cálculo oportunista e interesseiro, como é característico de seu caráter todo mergulhado na “peste emocional” diagnosticada por Wilhelm Reich. Provavelmente deseja se candidatar à presidência em 2022, ainda que sua falta de carisma torne sua campanha um baita desafio para os marketeiros políticos, ainda mais depois de ter se sujado na lama da familícia que ele protegeu: nada fez em relação a Queiroz, às fake news pagas com caixa 2, e se manteve de bico calado sobre as insinuações graves de que os Bolsonaro tem conexão direta com os milicianos que assassinaram Marielle.

Prevendo um futuro terrível, com a iminente explosão da crise pandêmica nas penitenciárias e com a previsível convulsão social que virá com a depressão econômica e transformará a questão da segurança pública num abacaxi tamanho continental, Moro preferiu pular fora do barco neofascista e obscurantista que ajudou a empoderar.

Nada disso o redime de seus crimes e de seu golpismo. Uma figura nefasta afasta-se de um governo nefasto e prossegue ainda impune do golpe jurídico que feriu de morte a legitimidade das eleições de 2018 e limpou caminho para o assalto-do-poder pelo Milicianato Bozonazi.

O que a Justiça de fato demanda é a cassação da chapa Bolsonaro – Mourão, culpada de inúmeros crimes eleitorais que um TSE acovardado permitiu que passassem impunes, e a convocação de eleições verdadeiramente democráticas que não ocorreram desde que, com o golpeachment de 2016, o Brasil entrou em fase “pós-democrática”. Desde então, como cantou Jorge Mautner, “não há abismo em que o Brasil caiba”.

A Casa de Vidro
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Ilustração por Vitor Teixeira

Citações de Demori extraídas da publicação do The Intercepthttps://theintercept.com/2020/04/24/se-moro-diminuiu-a-ponto-de-ser-chutado-por-bolsonaro-certamente-foi-tambem-pela-forca-do-jornalismo-que-nao-se-deixa-seduzir-por-super-herois/

 

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Ponto de cultura em Goiânia. Plugando consciências no amplificador. Encabeçado por Eduardo Carli de Moraes, professor de Filosofia no (IFG). Jornalista e Documentarista independente.

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