Sobre Desamparo (ou sobre o amparo de mais um existir) – Por Mailson Furtado

Assistimos um movimento no dizer pelas letras no Brasil. Movimentos! Várias cenas e vozes que vão além do resistir, ecoam diversas possibilidades e significações não-ditas, e por conseguinte não-vistas, de lugares, gentes, dizeres, e marcam o EXISTIR! Vozes pulsantes vindas de um entender de dentro, distante de outros movimentos ao longo da história, que vinham em grande parte de visões externas, ditos em terceira pessoa, por vezes inverossímeis, a povoar e gerar distorções.

Num descortinar e apresentar de Brasil sempre presente, saraus e slams tomam espaços a inscrever poesia nas ruas e em pessoas. Já em livros: Itamar Vieira Jr, Paulo Scott, Deborah Dornellas, Maria Valéria Rezende, e mais recentemente, Fred Di Giacomo, paulista do sertão, com seu primeiro romance Desamparo (Ed. Reformatório, 2018), finalista do prêmio São Paulo 2019.

Desamparo descobre o sertão paulista do fim do século XIX e começo do XX, escondido e guardado em acontecimentos locais, que quando ditos explicam uma parcela do quebra-cabeça Brasil. Num mergulho de realismo fantástico (também!), Fred enocega tantas histórias à vida de Rita, descendente de uma das primeiras famílias a “povoar” o extremo oeste paulista. Nisso, apresenta jogos de poder para o domínio da região, apoiados num projeto progressista de desenvolvimento a desconsiderar qualquer obstáculo a este fim, dentre eles: execuções sumárias de descontentes, tomada de terras de povos nativos, tentativa de a-culturação desses –, processo(s) que acompanhamos ainda hoje, em algumas regiões do país (sim! ainda… E tudo nos parece tão distante de nosso quintal). Fred nos diz e faz existir mais entendimentos para este país como hoje. Um lugar que foi, e sempre esteve junto de nós, mas longe. Desamparo é um abraço, e de tão necessário, quando lido, é um livro desde antes.

Mailson Furtado,
num hoje. No sertão desta vida


Fred Di Giacomo: “Seguimos insistindo nesse estranho vício de transformar dor e morte em arte.” || Entrevista à Casa de Vidro

Assista aos vídeos:

PARTE 1 – Apresentação

PARTE 2 – Descolonizando a Cultura

PARTE 3 – Escrevivências e Renovações dos Cânones

PARTE 4 – Censuras e Artistas na Resistência

Créditos do vídeo: Edição por Eduardo Carli de Moraes. Trilha Sonora: Bedibê.

Sobre www.acasadevidro.com

Ponto de cultura em Goiânia. Plugando consciências no amplificador. Encabeçado por Eduardo Carli de Moraes, professor de Filosofia no (IFG). Jornalista e Documentarista independente.

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