“O Ornitorrinco – Crítica à Razão Dualista” – Francisco de Oliveira #LivrariaACasaDeVidro

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O Ornitorrinco – Crítica à Razão Dualista
de Francisco de Oliveira
COMPRE JÁ NA LIVRARIA A CASA DE VIDRO! 

Chico de Oliveira é um dos mais importantes sociólogos brasileiros; professor titular de sociologia da USP e autor de vasta obra. Publicado primeiramente como um ensaio, em 1972, com o título “A economia brasileira: crítica à razão dualista”, este clássico da reflexão sobre o Brasil foi transformado em livro em 1973; 30 anos depois, é reeditado pela Boitempo. Inclui “Prefácio com perguntas”, de Roberto Schwarz. Leia entrevista com o autor (por Ridenti e Mendes).

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“Ornitorrinco – Será isso um objeto de desejo?”
Café filosófico com Francisco de Oliveira

“Na sociedade brasileira o mais arcaico convive com o mais moderno. Um país que guarda profundas aberrações, com a mais extrema miséria dividindo a paisagem com condomínios de luxo. Este país é comparado com o ornitorrinco pelo sociólogo Francisco de Oliveira. O ornitorrinco é um fenômeno estranho da natureza, um tipo indefinido entre mamífero e réptil. Um animal que não se definiu na evolução. Para Oliveira, o Brasil é o ornitorrinco. Uma nação onde o atraso tornou-se parte da sua estrutura e passou a ser mesmo parte de seu funcionamento.”

“Ascensão”, álbum póstumo de Serena Assumpção (2016, 52 min, Selo Sesc), explora a tradição do Candomblé e tem uma canção para cada orixá

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“Ascensão”, álbum póstumo de SERENA ASSUMPÇÃO (2016, 52 min, Selo Sesc), explora a tradição do Candomblé com uma canção para cada orixá

Via Canal Musical:

image002“As memórias afetivas e vivências em terreiros e nas tradições ancestrais das religiões afro-brasileiras ganharam expressão rica e delicada nas canções apresentadas em “Ascensão”, álbum dirigido, produzido e interpretado por Serena Assumpção e no qual trabalhou nos últimos cinco anos. Gravado em abril de 2015 em São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador, o CD de inéditas contou com a participação de mais 50 músicos e foi o último trabalho da artista, que faleceu, aos 39 anos, em março deste ano.

Cada uma das 13 faixas que compõem “Ascensão” saúda um orixá e é dedicada a pessoas admiradas por Serena, como o artista Leonilson, o Profeta Gentileza, Luz Del Fuego, Elis Regina, Clementina de Jesus, Clara Nunes e Mãe Menininha do Gantois. Pipo Pegoraro e DiPa também assinam a produção musical.

No texto de abertura, assinado pelo compositor, cantor e violonista baiano Tiganá Santana, fica explícita a colaboração do álbum, segundo ele, na promoção da reflexão sobre a importância do respeito à diversidade cultural e sua beleza.

Para Danilo Santos de Miranda, diretor regional do Sesc São Paulo, foi um grande contento apoiar o projeto. “Serena nos traz essas nuances africanas, do Candomblé e da Umbanda, para cantar o que de mais belo temos: a esperança. Com músicas inspiradas em sua vivência nessas tradições ancestrais, podemos reconhecer uma amplitude da herança africana presente em nosso dia-a-dia”, explicou no texto assinado por ele no encarte do álbum.

O CD “Ascensão” custa R$ 20,00 e está a venda nas unidades do Sesc e no link http://www.sescsp.org.br/livraria.”

LEIA TB: SESC – Pedro Antunes no EstadãoLeonardo Lichote em O Globo

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OUÇA JÁ: “ASCENSÃO”:

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Lançado em julho de 2016, poucos meses depois que Serena Assumpção nos deixou, vítima de câncer, aos 39 anos, “Ascensão” é o fruto de meia década de trabalho da produtora e musicista – e também a obra que crava seu nome na história da música brasileira. Em 13 canções que já nascem clássicas – divididas entre composições originais de Serena e de Gilberto Martins, e escritos em domínio público – a filha mais velha de Itamar canta sobre os orixás num trabalho que traz o som do terreiro para a roupagem do Brasil no século XXI, mas sem deixar a atmosfera de suas origens de lado (a ideia e muitas canções do álbum, afinal, surgiram a partir da vivência de Serena no Santuário da Irmandade do Ilê de Pai Dessemi de Odé, em São Paulo). E a artista fez tudo isso elencando alguns dos nomes mais importantes da música nacional dos últimos anos, como Céu, Curumin, Karina Buhr, Metá Metá, e sua irmã Anelis Assumpção.

FAIXAS:
00:00 – Exu (com Karina Buhr e Zé Celso)
03:05 – Ogum (com Tatá Aeroplano e Tulipa Ruiz)
06:58 – Pavão (com Curumin e Anelis Assumpção)
10:55 – Oxumaré (com Moreno Veloso, Bem Gil e Mãeana)
14:49 – Xangô (com Metá Metá)
19:47 – Iansã (com Tetê Espíndola)
24:33 – Oxum (com Curumin e Xênia França)
29:02 – Iemanjá (com Céu)
32:10 – Iroko (com Mariana Aydar)
37:35 – Nanã
40:44 – Obaluaiê (com Filipe Catto)
46:09 – Oxalá
49:10 – Do Tata Nzambi (com o Grupo Source De Vie)

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Confira também:

Metrópolis – TV Cultura

ASSISTA: LEANDRO KARNAL NO RODA VIVA (04 DE JULHO DE 2016, 1H22MIN)

Roda Viva | Leandro Karnal | 04/07/2016 | 1h22minKarnal
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EDGAR MORIN NO RODA VIVA DA TV CULTURA (2000, 1h 48 min, legendas em português)

[VIDEODROME:] “KARL MARX EXPLICADO POR ANTONIO MAZZEO” (TV Cultura, 55 min)

“Nietzsche & Espinoza — O Poder dos Afetos” com o Filósofo Oswaldo Giacóia Júnior

nietzsche-espinosaNietzsche & Espinoza — O Poder dos Afetos

com o Filósofo Oswaldo Giacóia Júnior

Introdução por Vladimir Safatle

Sinopse: Nesta palestra, o prof. e filósofo Oswaldo Giacóia Júnior discute uma perspectiva de análise social não privilegiando apenas a compreensão da sociedade como um sistema de normas, de leis e de regras e nem compreendendo essa atividade fundamental da vida social que é a política como uma mera discussão sobre circuitos de bens e riquezas, mas sim compreendendo a vida social como uma instauração de afetos — e sua reprodução vinculada à dinâmica relacional dos afetos, compreendendo essa esfera de atividade humana (a política) como um “circuito de afetos”. E para apresentar tais ideias, Giacóia recorre aos pensamentos dos filósofos Nietzsche e Espinosa, fazendo menção à Schopenhauer e tecendo, de maneira sucinta e arguta, algumas problematizações acerca do tema abordado e sua resolução na esfera política.

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Leia também:
Razão Inadequada – 5 Semelhanças entre Nietzsche e Spinoza

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Siga viagem:

Viviane Mosé + Giacóia

“As Delícias do Jardim de Epicuro”: Um vídeo da Série Ética da TV Cultura, com o filósofo José Américo Pessanha

Busto Romano de Epicuro - acervo do Louvre

Busto Romano de Epicuro – acervo do Louvre

“Doente, a humanidade transformada em rebanho precisa de tratamento. A fonte do mal, que se alastra pelo contágio do mimetismo, está detectada: as falsas crenças. O que move a ação curativa é o generoso sentimento de philia que, além de sustentar intrinsecamente a filosofia, transborda — enquanto amor à sabedoria — em amor à humanidade. A ação do médico-filósofo ou do filósofo-médico — ressaltada desde Empédocles e Sócrates/Platão — não conhece, porém, na linhagem epicurista, qualquer tipo de restrição quanto à escolha do paciente-discípulo: todos têm direito à cura, sem limitações sociais, econômicas, étnicas. Por isso, a mais ampla publicidade deve ser dada ao tratamento: o remédio é oferecido a qualquer um, a qualquer passante, mesmo aos estrangeiros, pois seu valor e benefício são universais, acima das contingências de espaço e tempo. E sua preservação em pedra é justamente para que os pósteros — que “também são nossos” — dele possam usufruir.

Mas, afinal, que remédio é esse, capaz de livrar a humanidade de aflições e tormentos? O remédio é o logos filosófico enquanto portador da verdade aclaradora, o discurso enquanto phármakon, enquanto curativo porque discurso-razão que espanca as trevas das crendices, expulsando os males da alma. (…) A dupla natureza da proposta epicurista — aliar razão iluminadora e amor à humanidade, lúcida compreensão dos fenômenos naturais e procura da felicidade terrena, ciência e ética — justifica, em parte, a aparência de seita, o caráter de confraria assumido por essa corrente filosófica. Trata-se, porém, de confraria laica, centrada na valorização do humano, não na transcendência do divino; confraria de amigos da verdade alcançada pelos sentidos e pela razão; confraria que procura a salvação, sim, mas por meio do conhecimento, não da crença, por meio da filosofia enquanto compreensão clara e comprovável, não da adesão ao mistério, ao intelectual e empiricamente insondável. O preceito “deves servir à filosofia para que possas alcançar a verdadeira liberdade” é, por isso, uma de suas prescrições fundamentais.

O humanismo radical e o propósito de colocar a verdade a serviço da felicidade humana, a índole “iluminista” que induz ao combate de toda forma de obscurantismo e crendice, o projeto salvacionista alicerçado na ciência, a defesa do prazer com fundamento materialista fazem do epicurismo um modelo de pensamento capaz de sobreviver e ressurgir, mesmo parcialmente, no decorrer dos séculos. Essa vitalidade e esses ressurgimentos manifestam-se apesar do acirrado combate que, desde a Antiguidade, recebe de adversários — em particular estóicos e cristãos. Com efeito, idéias epicuristas reaparecem em Pierre Gassendi (1592-1655), crítico de Descartes e um dos fundadores do materialismo moderno. No início da Modernidade, também o materialismo mecanicista de Thomas Hobbes (1588-1679) remonta a Epicuro. Mais tarde, Lenin alia-se ao epicurismo ao polemizar com Hegel. Porém, é sobretudo Marx — o jovem Marx — que mais profundamente mergulha na filosofia do mestre grego, reinterpretando-a na tese com que pretende obter lugar de dozent em Bonn: Diferenças entre as filosofias da natureza em Demócrito e Epicuro.

Karl Marx

– O jovem Karl Marx

Das numerosas obras de Epicuro — Diógenes Laércio afirma que eram cerca de trezentos títulos — muito pouco se conservou. Chegaram até nós três cartas — uma a Pítocles, de autenticidade duvidosa e tratando de fenômenos celestes, outra a Heródoto, sobre física, e uma terceira a Meneceu, sobre ética —, além das chamadas Máximas principais, quarenta sentenças possivelmente extraídas de várias obras. A esse parco conjunto acrescentaram-se, em 1888, as 81 sentenças descobertas em manuscrito da Biblioteca do Vaticano, algumas porém reproduzindo textos já conhecidos.

Eis por que o poema Sobre a natureza das coisas (De rerum natura), de Lucrécio, adquire tanta importância para o resgate das doutrinas epicuristas. Realmente, seria muito difícil reconstituir as idéias de Epicuro — o cisne —se não dispuséssemos da mediação que seu discípulo latino — a andorinha — realiza, sem pretender equiparar-se ao mestre grego, antes seguir, com apaixonada fidelidade, as pegadas que delineiam o percurso de seu pensamento.

Ao contrário do que se poderia supor, o hedonismo epicurista — que nos cantos filosóficos do cisne e nos voos poéticos da andorinha proclama o prazer como finalidade da vida humana — é uma doutrina defendida por homens que têm todos os motivos para desistir da felicidade e que, no entanto, afirmam: “Chamamos ao prazer princípio e fim da vida feliz”. Epicuro e Lucrécio vivem vidas difíceis em tempos difíceis.

Epicuro nasce em 341 a.C, em Samos ou em Atenas, mas seguramente de família ateniense. Seu pai é modesto mestre-escola, a mãe uma espécie de rezadeira, que o menino às vezes acompanha quando ela exerce sua função. Assim, desde cedo, Epicuro pode verificar como as pessoas estão geralmente dominadas por temores e crendices. Aos catorze anos é mandado para Téos, onde passa a acompanhar as lições de Nausífanes, discípulo do atomista Demócrito de Abdera. O cosmos com todos os seres lhe é então apresentado como resultando de átomos que se movem desde sempre no vazio infinito e que se aglutinam segundo leis estritamente mecânicas, sem intervenção de qualquer finalismo. Pobre, migrante e com saúde extremamente frágil, Epicuro vive, a partir de 322 a.C, em diversas cidades da Ásia Menor, enquanto elabora sua filosofia: “menos um sistema de pensamento do que um sistema de vida”. Finalmente, em 306 a.C, vai para Atenas, onde funda sua escola filosófica, o Jardim, na verdade uma confraria ou comunidade que admite entre seus membros também mulheres e escravos.

Mostram os historiadores: Epicuro compra primeiro uma casa, em seguida adquire, a certa distância, um jardim. Da Casa passam a sair, abundantemente, livros, panfletos e cartas, enquanto no Jardim (Kepos) acomodam-se os discípulos que depois vão difundir a doutrina por toda parte, permanentemente alimentados, do ponto de vista doutrinário, por novos textos e pela freqüente correspondência. Cícero, inimigo do epicurismo, distorce intencionalmente os fatos ao dizer que se trata de “um jardim de prazer onde os discípulos enlanguesciam em gozos refinados”. Na verdade, o Kepos não é propriamente um parque (paradeisos), mas uma horta, útil para a alimentação frugal dos que ali se recolhem, em convivência amigável junto ao mestre e inteiramente apartados das questões e distúrbios da pólis.

Após uma vida marcada por ascetismo, serenidade e doçura, apesar da dolorosa doença — cálculo — que nunca lhe dá trégua, Epicuro morre em 271 a.C. Diógenes Laércio descreve assim sua morte: “Sentindo-se morrer, ele se fez colocar numa banhei-ra de bronze cheia de água quente e pediu um copo de vinho puro, que bebeu. Tendo exortado seus discípulos para que se lembrassem de suas lições, expirou”.

Pouco tempo antes, Epicuro escrevera a alguns discípulos, anunciando estar prestes a morrer. É o que se lê neste fragmento da Carta a Idomeneu: “Eu te escrevo neste dia feliz da minha vida em que me sinto próximo da morte. O mal prossegue seu curso na bexiga e no estômago e não perde nada de seu rigor. Mas, contra tudo isso, tenho alegria em meu coração, ao recordar minhas conversas contigo. Cuida dos filhos de Metrodoro: creio que posso contar com isso pela antiga devoção à minha pessoa e à filosofia.”

A cena descrita por Diógenes Laércio traz inevitavelmente à lembrança outra cena de morte, a morte de outro cisne: Sócrates, segundo o relato do Fédon de Platão. Ambos, Epicuro e Sócrates, morrem serenamente, como exemplos de mortes sábias ou de sabedoria até à morte. Ambos bebem antes de morrer: Sócrates a cicuta que o envenena, Epicuro o vinho puro que lhe oferece a última sensação de prazer.

Sócrates permanece tranqüilo porque, enquanto espera o momento final, tece argumentos que ampliam os horizontes da espera e a transformam em racionalização da esperança na sobrevivência da alma. Epicuro permanece imperturbável até o fim justamente pela certeza de que a morte não lhe diz respeito, pois, ao chegar, não o encontra: seu corpo e sua alma feitos de átomos retornaram ao jogo dos corpúsculos que se movem no vazio, eternamente. Sócrates, ao se despedir desta vida, parece saudar o deus da saúde (Asclé-pio), patrono da vitória da vida (da alma) sobre a morte (do corpo). Epicuro saúda com vinho não a vida futura, apenas provável, mas pelas alegrias e prazeres nela saboreados.”

José Américo Pessanha

Leia o artigo completo de José Américo Pessanha (PDF)

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R.I.P. ANTONIO ABUJAMRA (1932 – 2015) – Assista alguns dos melhores episódios do “Provocações”: Safatle, Laerte, Stédile, J. Wyllys, R. Alves, V. Mosé, Tom Zé etc.

Em homenagem ao provocador-mor da TV brasileira, o recém-falecido “Abu”, compartilhamos aqui algumas das melhores entrevistas do programa Provocações, que atravessou 14 anos no ar, sempre “idolatrando a dúvida” e agindo como “um periscópio sobre o oceano do social”. Além disso, uma série de poemas declamados por ele no programa. Voilà:

Antonio Abujamra – Poemas Declamados no Provocações

Rubem Alves

Jean Wyllys

João Pedro Stédile

Renato Janine Ribeiro

Vladimir Safatle

Laerte Coutinho

Mino Carta

Viviane Mosé

Roberto Freire

Nicolau Sevcenko

Ricardo Abramovay

Tom Zé

Márcia Tiburi

José Miguel Wisnik

Zé Celso Martinez Correa

“7 PRAZERES CAPITAIS – PECADOS E VIRTUDES HOJE” (SÉRIE DE CAFÉS FILOSÓFICOS // CPFL CULTURA)

Hieronymus Bosch - "The Seven Deadly Sins and the Four Last Things"

Hieronymus Bosch – “The Seven Deadly Sins and the Four Last Things”

O ORGULHO
por Leandro Karnal

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A INVEJA
por Leandro Karnal

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A GULA
por Luis Estevam de Oliveira

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A AVAREZA
por José Alves de Freitas Neto

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A PREGUIÇA
por Oswaldo Giacóia

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A IRA
por Padre Contieri

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A LUXÚRIA
por L. F. Pondé

“Muito Além da Economia Verde”, café filosófico com o sociólogo e economista Ricardo Abramovay [VÍDEO COMPLETO]

Ricardo Abramovay - Muito Além da Economia Verde

Café Filosófico – Invenção do Contemporâneo:
Muito além da economia verde | Ricardo Abramovay

“A ideia de uma possível escassez de recursos naturais, além do persistente problema das desigualdades sociais e econômicas entre os povos, colocaram em questão o modelo de desenvolvimento das sociedades contemporâneas. A dificuldade natural de impor limites ao crescimento nos coloca diante de uma reflexão: qual o sentido que queremos imprimir naquilo que fazemos? Produzimos para que e para quem? Neste programa, o sociólogo e economista Ricardo Abramovay aponta para Muito Além da Economia Verde: pensar em novas formas de consumo e em uma ética produtiva que realmente gere benefícios para as sociedades contemporâneas. Fala ainda sobre novas formas de desenvolvimento e a necessidade de se reinventar a economia.”

Conferência gravada no dia 28 de junho de 2012.

Veja também: PROVOCAÇÕES (TV CULTURA)

O Ricardo Abramovay, sociólogo e economista, professor da USP, concedeu uma entrevista muito interessante ao Abujamra no Provocações, onde ele diz muitas coisas extremamente relevantes. Ele deixa muito claro, pra começo de conversa, que é inadmissível – por ser uma rota suicida – que a Humanidade continue a queimar combustíveis fósseis como tem feito e continua a fazer hoje em dia. A Era do Petróleo acaba, ou quem acabará somos nós. A produção de automóveis que rodam à base de combustíveis fósseis é algo a ser urgentemente repensada.

A queima das reservas de “ouro negro” que hoje são patrimônio das empresas petrolíferas, com as emissões de gigatoneladas de gases de efeito estufa na atmosfera (já saturada deles), iria acarretar o caos climático mais exacerbado, com um aumento da temperatura da Terra que alguns avaliam em 6º C ao fim do século 21 de nossa era. Tal aumento de temperatura geraria a possibilidade concreta de aniquilação da civilização humana como a conhecemos, além da queda radical da biodiversidade terrestre, em uma nova era de extinção em massa. O atual modelo econômico, já dizia Terence McKenna, é uma arma carregada apontada contra a cabeça deste planeta. E estamos deixando a hegemonia e o poder nas mãos daqueles que não tem pudores em apertar o gatilho.